Toda Manhã de Domingo

Novo projeto sobre minha cidade natal

Algumas das minhas memórias mais vívidas da infância acontecem nos domingos no sítio do meu avô. O café da manhã com minha bisavó. O cheiro da comida da minha avó se espalhando pela casa. Passar o dia correndo descalço pelo terreno. Pescar com meu pai e com meu avô. Durante muitos anos, foram essas pequenas rotinas de domingo que preencheram meus finais de semana — e boa parte das lembranças que carrego daquela época. Às vezes íamos no sábado, mas era quase sempre o domingo que guardava esses momentos que sigo levando comigo com carinho.

Fazendo sol, chuva ou frio, domingo de sítio era dia de acordar cedo. Lembro das manhãs de inverno em que meu pai me chamava antes do sol nascer. Ainda meio sonolento, vestia o casaco e corria até o jardim para observar a geada brilhando na grama e no telhado das casas vizinhas. Logo depois partíamos. No banco de trás do carro, eu me inclinava para ver a geada na mata, o vapor subindo do rio e o caminho sinuoso que levava até o sítio. Esse trajeto, percorrido centenas de vezes, é também um mapa das minhas primeiras memórias: as casas, as pequenas fábricas, os comércios; a rua de paralelepípedos no centro da cidade; e os últimos quilômetros de estrada de terra. Cada trecho, curva e bifurcação desenhava a paisagem dos domingos — ora entre as casas, ora entre a mata dos morros.

A fotografia deste projeto parte desse lugar íntimo. É um olhar sobre a memória afetiva da minha cidade natal. As imagens convidam o espectador a caminhar comigo – atravessando o espaço entre a lembrança e o presente.

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