Há caminhos que deixamos de percorrer sem perceber.
Durante muitos anos, as manhãs de domingo tinham um destino conhecido. A viagem começava na casa dos meus pais, em Pomerode, e terminava no sítio onde meu avô viveu por grande parte da vida. Algumas das minhas memórias mais vívidas da infância acontecem nestes domingos: o café da manhã com minha bisavó, as brincadeiras no quintal, o cheiro da comida da minha avó, as pescarias com meu pai. Pequenas rotinas que, por anos, deram forma aos meus finais de semana e ao modo como lembro da minha cidade.

O trajeto de casa até o sítio também faz parte dessas lembranças: as frias manhãs de inverno, as mesmas casas, a antiga fábrica, uma igreja, a sinuosa estrada de terra. Cada trecho desse caminho guardava algo e, juntos, formavam os cenários da minha infância.
Anos depois, decidi voltar.
Não para reconstruir uma lembrança ou procurar por aquilo que existia antes. A memória nunca devolve um lugar exatamente como ele foi. Ela transforma, apaga detalhes, inventa outros. O que me interessa é reviver esse percurso tão vivo em minha memória, buscar o que permanece e o que já não pode ser recuperado.
Toda Manhã de Domingo nasce dessa volta.

Ao longo dos próximos anos, pretendo percorrer novamente essa estrada, quilômetro por quilômetro, fotografando no mesmo ritmo lento que a paisagem parece pedir: fins de tarde, caminhadas sem pressa e poucas imagens.
As imagens que seguem pertencem aos primeiros trechos dessa caminhada.

Sobre os Cadernos
Ao longo dos próximos anos, alguns projetos serão publicados em pequenas edições chamadas Cadernos.
Cada Caderno registra um momento específico de uma pesquisa em andamento. Não apresenta um trabalho concluído, mas um trecho do percurso: uma estrada, um encontro, uma paisagem ou uma conversa.
Inspirados nos cadernos de artista, acompanham o desenvolvimento dos projetos antes de sua forma definitiva em livros ou exposições.
Publicados em sequência e numerados, formam um arquivo contínuo da minha produção.

Edição Fine Art
As fotografias apresentadas neste Caderno estão disponíveis como impressões Fine Art em edição limitada, em diferentes formatos e tiragens.
Algumas imagens também contam com uma Edição de Apoio: um formato menor, concebido para tornar este trabalho acessível a um número maior de colecionadores, sem abrir mão da qualidade de impressão e da tiragem limitada.
A aquisição de uma fotografia contribui para a continuidade desta pesquisa, tornando possíveis novas viagens, novos encontros e os próximos capítulos deste e outros projetos.
Caso tenha interesse em conhecer as edições disponíveis ou conversar sobre alguma fotografia, basta responder a este e-mail.
Tschüss,
Alessandro Gruetzmacher































