Fotografias feitas enquanto o projeto ganha forma
Imaginei esta primeira newsletter de 2026 como uma pequena retrospectiva da minha produção autoral de 2025. A ideia era compartilhar novas fotografias do projeto Plattdeutsch e também alguns novos trabalhos em Fine Art. No entanto, o último semestre foi um tanto delicado, e precisei me afastar um pouco da fotografia e das minhas “grandes pretensões literárias” de manter esta newsletter em dia. Entre idas e vindas entre São Paulo e Santa Catarina, sempre que possível levava a câmera comigo. Ainda assim, nos últimos seis meses consegui fotografar apenas uma vez para o projeto Plattdeutsch. E, já nos meses finais de 2025, mesmo com visitas mais frequentes, fiz poucas saídas fotográficas — momentos breves para explorar, registrar algumas cenas e dar início a um novo projeto documental.

Essas saídas abrangeram cerca de dois quilômetros do percurso. Se é que podem ser chamadas de saídas fotográficas, estavam mais próximas de caminhadas, usadas para espairecer e buscar um pouco de clareza. O trajeto foi pensado a partir dos caminhos que me levavam ao sítio na infância: começa no bairro onde cresci, ao sul da cidade, quase na divisa com Blumenau; passa pelo centro; e segue até o norte, com bairros entre morros e áreas predominantemente rurais. Ao cruzar a divisa entre Pomerode e Blumenau, ainda são alguns quilômetros de estrada de terra até chegar ao sítio. Pela minha estimativa, o percurso completo terá cerca de 45 km, atravessando trechos de asfalto, paralelepípedo e estradas de chão, passando por paisagens à beira da rodovia, casas antigas, indústrias, um centro charmoso, pequenos trechos junto ao rio e estradas íngremes com vistas para matas e áreas rurais.
Nessas caminhadas, fiz testes de luz, enquadramento e observei o que poderia funcionar para este novo projeto, registrando cenas e paisagens e fazendo anotações sobre a abordagem. Para simplificar o processo de criação, o fluxo de imagens e construir um olhar mais coeso para a série, decidi trabalhar apenas com uma lente fixa. Levei comigo a câmera, a lente, um cartão de memória reserva e algumas baterias extras. Inspirado pelo movimento New Topographics e por fotógrafos como John Gossage e Mark Ruwedel, retomei o uso do preto e branco, deixando a fotografia em cor exclusivamente para o projeto Plattdeutsch. Assim, estabeleço uma separação clara entre os dois trabalhos — e sei, desde o início, para qual projeto estou fotografando.
O movimento New Topographics surgiu em 1975, a partir de uma exposição homônima, e ficou conhecido por sua abordagem documental de paisagens banais — subúrbios, rodovias, áreas industriais — rejeitando o romantismo tradicional da fotografia e voltando o olhar para a paisagem urbana em transformação. Embora não tenha participado da exposição original, o fotógrafo John Gossage, conhecido pelo livro The Pond, tem uma frase da qual gosto muito: “There seems to be a great deal of opportunity in the ordinary.”
Com essa citação em mente, compartilho abaixo algumas fotografias do banal, produzidas nessas breves caminhadas.






Na próxima semana, retorno a Santa Catarina para registrar outros pontos importantes do percurso. Em breve, compartilho novas imagens por aqui — e, se quiser saber mais sobre o projeto, é só me escrever.
Tchüsss,
Alessandro Gruetzmacher
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