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  • A Quantidade Ideal de Câmeras

    Olá! Faz alguns meses desde meu último sinal de vida por aqui. Neste período, fui tomado por trabalhos, viagens e outros compromissos que preencheram meus dias. Em abril, publiquei minha primeira newsletter pop-up, Pequeno Gabinete de Fotografias, na qual revisitei meu arquivo fotográfico e compartilhei as imagens que considero mais significativas. Ao revisitar essas fotografias, lembrei de quando tinha apenas uma câmera e uma lente, com as quais produzi grande parte da série Litorâneas. Pensando nisso, comecei a me questionar sobre a quantidade de equipamentos que nós, fotógrafos, acumulamos e o que realmente usamos.

    Tirando as especificidades de cada trabalho, podemos concordar que, na maioria das vezes, uma câmera e uma lente resolveriam a maior parte das necessidades. Como sempre dizem, “a melhor câmera é aquela que está com você”. E, convenhamos, é difícil discordar dessa ideia. Ainda assim, gostamos de criar histórias e justificativas para nós mesmos. Se tempo e, principalmente, dinheiro não fossem um problema, tenho certeza de que todo fotógrafo teria várias câmeras, inúmeras lentes e todo tipo de acessório. Volta e meia me pego lendo reviews de lançamentos, pesquisando novos equipamentos ou “montando” o kit dos sonhos.

    Nos primeiros anos da fotografia, vi o anúncio do lançamento de uma lente. Era uma Canon 17-40mm f/4 L, com o anel vermelho que identifica as lentes profissionais da marca. Na época, eu tinha apenas uma câmera digital compacta, e aquela lente não me serviria para nada. Cerca de cinco anos depois, finalmente comprei a tão sonhada lente. Ela está comigo até hoje e, entre 2010 e 2013, foi a lente que usei para fotografar a série Litorâneas. A câmera e a lente formavam um conjunto simples e relativamente compacto, e, junto com um filtro ND e um disparador, eram as únicas coisas que eu levava para fotografar.

    Ano passado, escrevi um texto sobre minhas câmeras, Uma Vida Entre Caixas de Luz, e é interessante acompanhar a evolução do meu processo fotográfico em relação aos equipamentos. A adição de novas câmeras, além de acessórios e equipamentos de áudio, expandiu as possibilidades fotográficas. Longas exposições, projetos documentais, séries abstratas, fotografias analógicas e tantos outros trabalhos multiplicaram meu acervo de imagens. Ao mesmo tempo, acabaram gerando diversas indecisões sobre qual equipamento levar em cada viagem.

    Não que eu tenha muitos equipamentos, mas decidi simplificá-los. Dependendo da situação, algumas câmeras saíam de casa literalmente para passear. Uma das maneiras que encontrei para simplificar meu processo fotográfico foi limitar determinados equipamentos a projetos específicos. Desse modo, a decisão passa a ser mais sobre sair para fotografar do que sobre quais equipamentos levar.

    Poderia simplesmente optar pela minha câmera digital, usar duas das minhas lentes e fotografar todas as séries e projetos? Com certeza seria a opção mais prática. Mas há algo nos projetos documentais em que busco uma linguagem própria, diferente da estética da fotografia digital. 

    Por isso, em 2018, decidi que o projeto Plattdeutsch seria produzido em filme colorido. Essa escolha pode não fazer muito sentido hoje em dia, mas existe algo na fotografia analógica que transmite uma aura particular às imagens e, principalmente, às pessoas retratadas.

    Nesses últimos meses, fiquei estudando e avaliando o melhor conjunto de equipamentos para cada projeto. Hoje, quando sei para qual projeto vou fotografar, levo o equipamento já definido e pronto. Por um lado, essa escolha me limita; por outro, simplifica o ato de fotografar, sem que eu precise carregar equipamentos que não vou utilizar. Para o projeto Eixos-SP, por exemplo, defini que vou utilizar minha câmera de filme, uma lente 35mm e filme preto e branco. Já para o projeto Plattdeutsch, a escolha é a câmera de médio formato e filme colorido.

    Passei os últimos meses convencido de que precisava de menos equipamentos. Até que, no início deste mês, tive uma surpresa.

    Era uma terça-feira de manhã, na segunda semana de junho, quando recebi uma mensagem do meu amigo e vizinho: “Seguinte, deixei na tua porta aquilo que podemos chamar de presente, rsrs”.

    Sem saber do que se tratava, fui imediatamente até a porta conferir o que me aguardava. Para minha surpresa, quando a abri, encontrei uma câmera de grande formato 4×5. Mais especificamente uma Toyo View, com adaptador para filme 120 e algumas caixas de filme 4×5.

    Que baita presente!

    A ideia de simplificar meus equipamentos segue nos planos. Pelo menos eu acho. Confesso que essa nova câmera trouxe muitas possibilidades para os projetos em andamento e também algumas ideias para projetos futuros. Nesta última semana, examinei a câmera com calma e percebi que ela precisa de alguns ajustes: um fole novo, um vidro despolido, uma lente e alguns outros acessórios para 4×5.

    Vai ser o projetinho de 2026 colocá-la para funcionar. Pelo visto, simplificar os equipamentos vai ter que esperar mais um pouco.

    Tschüss,
    Alessandro Gruetzmacher

  • Uma casa, um retrato

    No último mês, estava escrevendo sobre minha viagem a Pomerode, que aconteceu no início de setembro. Contei sobre a viagem de carro, o tempo frio e chuvoso e as novas fotos do projeto. No fim das contas, percebi que a newsletter havia ficado mais entediante que os próprios dias de chuva. Então, dei uma pausa na escrita e passei uns três ou quatro dias dedicando atenção a outras demandas: clientes e a digitalização das fotografias.

    Agora, olhando para as fotos escaneadas e relembrando os encontros dessa última saída fotográfica, percebo algo muito interessante entre todos os retratados: eles gostam de conversar, simplesmente isso. Pode parecer banal — afinal, a conversa é nosso principal meio de comunicação —, mas havia algo a mais. Era como se ansiassem por compartilhar suas histórias. Surgiam assuntos diversos: a madeira usada na construção da antiga casa, a morte do marido há quarenta anos ou até as grandes mudanças feitas na propriedade há dez ou quinze anos.

    Um desses encontros foi com o Sr. Nazário. Ele não fazia parte do roteiro que havíamos planejado, mas foi uma grata surpresa terminar o dia fazendo seu retrato. As visitas têm sido organizadas pela minha tia, que tem me ajudado muito, conversando com amigos e vizinhos para descobrir quem ainda fala o Plattdeutsch. Logo no início da tarde, passamos em frente a uma casa de madeira que me chamou a atenção pelas cores vibrantes, já desgastadas pelo tempo. O sol ressaltava a textura da madeira, e a janela, com um pedaço de vidro faltando, dava um charme bucólico — ainda que a casa parecesse abandonada.

    Com o dia chegando ao fim e o sol sumindo atrás das montanhas, decidi voltar até a antiga casa para fotografar a varanda, iluminada pelo último feixe de luz. Batemos palma na casa ao lado, nos identificamos e pedimos autorização. A senhora que apareceu disse que precisava falar com o marido, que havia saído para cuidar da propriedade, sem hora certa para voltar. Apontou a direção em que ele poderia estar. Por sorte, logo depois o vimos retornando, guardando suas ferramentas. Fui ao seu encontro e, enquanto me aproximava, pensei: preciso fazer um retrato dele.

    Tivemos uma breve conversa. Expliquei o projeto e o interesse em fotografar a antiga casa de madeira. Ele contou que aquela casa havia sido de sua sogra, mas que sua mãe, descendente de poloneses, falava o Plattdeutsch. Na hora, pensei: a casa não vai a lugar algum, mas este retrato do Sr. Nazário será muito mais significativo. O sol já havia se escondido atrás das montanhas, e deixei de lado a foto da varanda. Um pouco tímido, ele começou a compartilhar várias histórias sobre a casa de madeira e as mudanças no sítio. Depois de quase meia hora de conversa, aceitou o convite para fazer parte do projeto.

  • Plattdeutsch

    Há alguns meses compartilhei a ideia por trás do projeto Plattdeutsch e como tenho lidado com as questões de tempo e distância para realizar as fotografias ao longo dos últimos anos. Na newsletter de hoje, quero apresentar fotografias inéditas feitas entre 2018 e 2019, além de algumas produzidas na minha última viagem ao sul. Na ocasião, fotografei tanto em digital quanto em filme — e, depois de escanear os negativos, tive certeza: este projeto precisa ser feito em filme.

    Além da pesquisa sobre o baixo-alemão na minha cidade natal, Pomerode — ponto de partida para este projeto — pretendo documentar outras cidades e comunidades em Santa Catarina, onde há registros de mais seis municípios em que o dialeto ainda é falado. Também existem cerca de quinze cidades espalhadas pelos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Espírito Santo onde há informações de que o Plattdeutsch ainda é utilizado.

    Mais fotografias do projeto você encontra no meu site.


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  • O Dialeto das Imagens

    Quando pensamos em retrato fotográfico, qual imagem vem na sua memória? Existem diversas fotografias e retratos que são considerados históricos, porém se eu fizer um rápido comentário – “A Menina afegã”, acredito que a maioria das pessoas vai lembrar da fotografia registrada por Steve Mccurry. Apesar desta fotografia ser de 1984, eu a vi pela primeira vez anos mais tarde, tinha entre 10 e 12 anos numa revista Super Interessante.

    Os retratos documentais sempre me despertaram alguma curiosidade. Já na faculdade, quando comecei a me interessar pela fotografia, passava horas folheando revistas da National Geographic, no intervalo das aulas ia até a biblioteca para procurar por novas revistas e livros de fotografia. Nesse período fiz alguns retratos que possuem um valor sentimental e que considero retratos interessantes, pela sua expressão e história.

    Depois de alguns anos percebi que eu não levava muito jeito para fotografar pessoas. Sou meio tímido, introvertido e sempre achei que não levaria jeito pra coisa. Com isso, comecei a me interessar pela fotografia de paisagem, arquitetura e pela longa exposição. Quando me perguntam o que eu faço, digo que “fotografo pedras”, rs. Isso mesmo, me tornei um retratista de pedras. Elas não se mexem, simplesmente estão lá, esperando para que eu faça seu retrato. Assim, nestes últimos 15 anos me dediquei quase que exclusivamente fotografando minhas longas exposições e meus trabalhos comerciais.

    Nesse meio tempo, comecei a acompanhar e estudar o trabalho de fotógrafos documentais e me interessei novamente por retratos. Durante um café com meu amigo Gustavo Lacerda, comentei sobre a ideia de realizar um projeto (Plattdeutsch) na minha cidade natal, e ele fortemente recomendou para que  realizasse o projeto com filme 120 ou até mesmo grande formato. Assim, algum tempo depois, comprei um câmera de médio formato e filmes diversos.

    Como comentei numa newsletter anterior, o projeto ficou engavetado entre 2020 e 2024. Neste ano decidi voltar a produzir as fotografias, e estou organizando alguns viagens para o sul e ampliando minha pesquisa para outras cidades e estados: Espirito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul onde o plattdeutsch ainda é falado. Ao final do projeto, quero reunir um conjunto de fotografias – retratos, fotografias de paisagens, registros da arquitetura e still-life – para contar a história das pessoas que ainda falam esse “dialeto” aqui no Brasil, que chegou com os imigrantes alemães no século XIX.

    Estou escrevendo os textos também no Substack e quero usar esta newsletter para divulgar o andamento dos meus projetos, compartilhar curiosidades, contar histórias dos retratados e mostrar o processo por trás das câmeras. O Plattdeutsch, é um dos projetos em que estou trabalhando este ano. O outro projeto que pretendo finalizar no segundo semestre, é a publicação do meu primeiro livro sobre a série Litorâneas.

    Sobre o livro, irei compartilhar mais informações no próximo post.


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  • Depois de 15 anos, ainda há primeiras vezes

    Este ano completo 15 anos desde que comecei a fotografar minhas primeiras longas exposições. Na época, minhas pesquisas e referências eram quase totalmente voltadas para fotografias em preto e branco. Levei cerca de 3 anos e meio para registrar minhas primeiras longas exposições em cor e, desde então, venho alternando minha produção entre fotografias PB e coloridas, tanto em digital quanto em filme. Somente agora, após esses 15 anos, realizei minhas primeiras longas exposições com filme colorido.

    Sei que, para a maioria das pessoas, não faz a mínima diferença se uma fotografia foi feita com uma câmera digital ou com uma câmera de 30, 40 ou 70 anos. Mas, para nós, fotógrafos, há uma satisfação pessoal nesse processo: o momento nostálgico de carregar o filme na câmera, ajustar o foco e depois ver o resultado com cores, contraste e nuances completamente diferentes daquelas a que estamos acostumados ao olhar para telas.

    A imagem acima foi um desses momentos. No instante da captura, imaginei como a fotografia poderia ficar, mas sem ter absoluta certeza do resultado. Das 10 fotos do filme, uma exposição queimou (erro meu), duas precisei escanear novamente, três ficaram subexpostas e três (talvez quatro) irei compartilhar com vocês. As demais vou deixar guardadas. Melhor assim!

    Mais fotografias da série Analógicas você pode ver no link abaixo:

  • De volta ao analógico

    Durante o ano de 2024, trabalhei quase que exclusivamente em duas séries abstratas: primeiro, a série Penumbra II, e durante o segundo semestre na série Fragmentos de Luz. Ambas surgiram da observação e das experimentações realizadas ao longo dos últimos anos, nas demais séries abstratas produzidas a partir de 2020.

    Neste início de ano, levei minha Mamiya RB para a viagem de férias e tirei alguns dias para fazer longas exposições. Essa câmera de médio formato fabricada entre os anos 70 e 90, produz apenas 10 fotos por filme e tem um processo muito mais lento do que qualquer câmera ou celular atual. Não somente pelo ato de fotografar, mas também em todo o processo posterior: revelar o filme, escanear e tratar foto por foto.

    Nestas fotografias utilizei o filme preto e branco Fuji Acros 100, que repousava na minha geladeira desde antes da pandemia. Aproveitei também para fazer algumas fotografias com filme colorido. Apesar de já ter fotografado em cor antes, foi a primeira vez que utilizei filme colorido para longas exposições. Uma das maiores dificuldades que tive com o filme escolhido, foi encontrar valores ou uma tabela detalhada sobre a falha de reciprocidade, o que tornou essa primeira experiência ainda mais interessante.

    Praia da Juréia XVIII + Praia da Juréia XVII

  • Um domingo e dois retratos

    Como era de costume quando criança, domingo era dia de almoçar na casa da vó. E mesmo na época da faculdade tentava manter esse hábito que vinha acompanhado não apenas das lembranças da infância, mas também de manter a ligação com a família. Os dois retratos acima de 2006, são da minha avó Helena e minha bisavó Alma quando ainda descobria a fotografia.

  • Quarentena – 2020

    Apesar desta foto ter sido feita há aproximadamente 2 anos, ela demonstra muito bem a situação atual devido a quarentena e isolamento social.

  • Longas Exposições com Filme

    Depois de um bom tempo sem produzir longas exposições, no início de Novembro aproveitei uma viagem de trabalho para Santa Catarina e tirei um dia para produzir algumas longas exposições utilizando uma câmera de médio formato e utilizando filme 120.

    A praia escolhida não poderia ser melhor, onde quando criança muitas vezes fui pescar com meu pai e na cidade onde passei muitos verões com a família. Foi nesta época que surgiu minha curiosidade e gosto pelo mar, mas que apenas 15 anos depois ressurgiu na minha vida através da fotografia onde pude explorar as praias, os costões rochosos e as pedras com seus formatos curiosos.

  • Plattdeutsch

    Plattdeutsch é o novo projeto no qual estou trabalhando nos últimos meses e surgiu da vontade de fotografar minha cidade natal. Após meses de pesquisas sobre qual maneira iria abordar e fotografar, (sem cair no mesmo clichê) voltei as lentes e pesquisa para as pessoas que ainda falam o plattdeutsch ou baixo-alemão.