Uma tentativa de encontrar um lugar para as fotografias depois do clique.
Há tempos venho pensando sobre as “nossas” redes sociais, seja Instagram, Facebook, TikTok etc. Quando digo nossas, me refiro aos espaços que as grandes empresas de tecnologia nos oferecem para publicar e compartilhar nossas fotos, vídeos, notícias, memes e dancinhas, seguindo regras que não fomos nós que criamos. Em um grupo de WhatsApp do qual participo, colegas fotógrafos frequentemente se queixam do alcance e da entrega das publicações no Instagram. Vou usar o Instagram como base, pois é onde eu e a maioria de nós, fotógrafos, compartilhamos nossas fotos. Até porque, quando foi lançado em 2010, ele era justamente um aplicativo para isso.

Assim como os colegas do grupo, eu também acabo me frustrando quando publico uma fotografia ou um conjunto delas. Olho para os números do Instagram e penso em todo o trabalho que tive: a ideia, meu tempo fotografando, os custos de filme etc., para que uma empresa, ou melhor, um algoritmo, decida se aquela fotografia é digna de alguma atenção.
Voltando para 2010, foi o ano em que comecei a produzir minhas primeiras longas exposições. Porém, naquela época, o Instagram estava disponível apenas para iPhone e eu tinha um celular da LG, com uma câmera de qualidade duvidosa. Nesse período, eu compartilhava as fotografias pelo Facebook e pelo Twitter, mas havia um detalhe. Eu usava a versão web do Twitter, que não permitia publicar fotos diretamente nas postagens. Precisava usar um serviço de compartilhamento de imagens. Enviava minha fotografia para um e-mail e, depois, recebia um link que eu copiava e colava na mensagem do Twitter. Assim, minhas fotos apareciam por lá.
Foram aproximadamente três anos divulgando meu trabalho pelo Facebook, Twitter e e-mail. Sem o conceito ou a ideia de uma newsletter, eu enviava por e-mail algumas imagens para meus contatos: amigos, colegas e galeristas. Foi uma época em que participei de exposições coletivas e individuais. Em 2012, participei da Bienal de Roma e, em 2013, fiz minha primeira exposição individual em uma galeria aqui em São Paulo. Tudo isso sem likes, reels e sem Instagram.
Era uma época em que minha maior preocupação era produzir novos trabalhos, editar e finalizar as fotografias. De tempos em tempos, compartilhava essas novas imagens. Diferente de hoje, quando precisamos postar “X” vezes por semana, produzir vídeos, reels, stories etc., como se nossa rotina fosse sempre empolgante ou nossa agenda estivesse permanentemente lotada. Vernissages, lançamentos de livros, feiras de arte e tantos outros eventos importantes. Na verdade, deixamos de ser fotógrafos, ou autores do próprio trabalho, para nos transformarmos em personagens das redes sociais.

Há alguns meses, tentei uma nova empreitada no Instagram. Criei um novo perfil, apenas para meus trabalhos abstratos, @gruetzmacher.works. Claro que, quando criei esse novo perfil, não levei em conta o tanto de trabalho que viria com ele. Assim que os trabalhos comerciais tomaram conta da agenda, ele foi deixado de lado por quase dois meses. Tento atualizar o perfil semanalmente, publicando algum novo trabalho. Mas confesso que volto ao ponto do nosso segundo parágrafo. Publicar qualquer trabalho criativo, seja uma fotografia, uma pintura ou um vídeo, em uma plataforma onde a exposição desse trabalho se resume a alguns segundos de visualização, é de uma crueldade imensa com nosso trabalho e, principalmente, com o tempo dedicado a ele.
Outro ponto que tem me deixado inquieto é a forma como as redes sociais tratam nossa relação com a audiência. Com o uso dos algoritmos, somos limitados a aparecer apenas para uma parcela muito pequena dos nossos seguidores. Mas, além disso, penso em um futuro mais distante, em que essa audiência talvez não exista mais, seja por alguma limitação dos algoritmos ou mesmo pelo desaparecimento das redes sociais. Já acompanhamos o desaparecimento de algumas delas, e acredito que o exemplo mais conhecido para todos nós seja o finado Orkut. Também tivemos movimentos semelhantes com alguns aplicativos e meios de comunicação. ICQ, MSN Messenger, Skype e mIRC, para citar alguns, tiveram seu auge no passado, não acompanharam a evolução das tecnologias e deixaram de existir.

Por isso, gosto da ideia de usar o e-mail. Desenvolvido na década de 1970, ele continua atual. Ou, melhor dizendo, sua tecnologia já foi suficientemente comprovada. Você envia a mensagem, a pessoa recebe e responde no seu tempo, sem pressa e sem algoritmos influenciando o que ela deve ver.
Há mais de dez anos, sem imaginar como as redes sociais se transformariam, comecei a criar uma lista de e-mails. Simplesmente para publicar minhas fotos e falar sobre meu trabalho do meu jeito. Sem algoritmos decidindo quem ou quando deveria ver minhas fotografias.
Longe das redes sociais, continuo publicando meus breves ensaios, que reúnem reflexões sobre fotografia, memórias, livros, processos e linguagem. São textos que nascem de uma pergunta, de uma leitura ou de uma experiência em campo, e nem sempre dependem de fotografias para existir.

Além desses ensaios, que são a base das publicações, irei compartilhar por aqui algumas outras formas de acompanhar meu trabalho:
- Cadernos: apresentam capítulos das minhas pesquisas fotográficas. Cada publicação reúne uma seleção de imagens e textos que documentam um momento do trabalho, como páginas de um caderno de artista. São registros permanentes de projetos em andamento ou já concluídos.
- Correspondências: são cartas escritas durante o desenvolvimento dos projetos. Compartilho detalhes das viagens, anotações, encontros e descobertas enquanto a pesquisa ainda está acontecendo. É um espaço para acompanhar o percurso e a evolução dos projetos.
- Estudos: reúnem fotografias que ainda não pertencem a uma série específica. São experimentos e investigações visuais que exploram diferentes possibilidades da fotografia. Algumas dessas imagens podem dar origem a novos projetos; outras permanecerão como exercícios que preservam a liberdade da pesquisa.
- Pequeno Gabinete de Fotografias: uma newsletter que funciona como um arquivo vivo. Todos os meses, uma nova publicação, numerada como Arquivo #01, Arquivo #02, Arquivo #03… apresentará uma única fotografia, acompanhada talvez de um breve texto sobre sua história, seu contexto ou as questões que ela continua despertando. Não se trata de uma retrospectiva nem de um portfólio. É uma forma de revisitar o arquivo, permitindo que imagens realizadas em diferentes épocas voltem a dialogar com o presente.
No fundo, é por isso que continuo escrevendo por aqui. Para construir um espaço que não dependa de alcance, curtidas ou algoritmos. Sem a obrigação de aparecer todos os dias ou de transformar cada fotografia em conteúdo. Um lugar onde eu possa compartilhar meu trabalho no meu próprio ritmo e onde as fotografias possam encontrar pessoas dispostas a olhar para elas com um pouco mais de tempo.
Tschüss,
Alessandro Gruetzmacher





















