Inspiration

  • Pensando o livro como objeto

    Trabalhei em uma gráfica comercial por cinco anos — como comentei em uma das newsletters anteriores. Durante esse período, comecei a observar e inspecionar todo o material gráfico: conferia a qualidade da impressão, o registro, o acabamento, as dobras, colagens etc. Lembro de um episódio, em 2001 ou 2002, numa das minhas primeiras viagens para São Paulo. Meu então chefe desmontou a caixinha onde era servido o lanche (sim, a gente recebia lanche até num voo de 1h de Navegantes até Congonhas) e ficou inspecionando aquele pequeno pedaço de papel dobrado. Trabalhar na gráfica e entender de papéis, acabamentos, cores e fontes tipográficas me fez, por alguns anos, querer ser um produtor gráfico.

    Ainda levo daquela época alguns interesses — especialmente a curiosidade por tipografia e o prazer de descobrir novos livros. Não apenas os literários ou fotográficos, mas livros que, para mim, podem ser considerados objetos. São poucos os que seguem essa linha e, em geral, são livros de tamanho pequeno a médio — um pouco menores que uma folha Carta ou não muito maiores que uma folha A4. O papel usado no miolo desses livros faz com que eles não sejam apenas vistos ou folheados, mas também tateados com a ponta dos dedos. E para proteger esse miolo e todo seu conteúdo gráfico, a capa. Nos livros-objeto, considero imprescindível uma capa dura, revestida com tecido, com o título em baixo-relevo e serigrafia. Talvez com uma pequena imagem complementar.

    Como fotógrafo de arquitetura e interiores, vejo muitos livros espalhados pelas casas e apartamentos, sendo usados como objetos de decoração. Muitos deles são escolhidos para compor a sala, os quartos ou outros ambientes, ajudando a deixar os espaços mais humanizados. Eles são colocados sobre mesas de centro, prateleiras ou mesinhas laterais — às vezes apenas para “preencher o vazio”. Mas quando falo em livros-objeto, me refiro àqueles que as pessoas desejam adquirir pelas histórias, como objetos táteis, com cheiro, textura — livros que nasceram para serem folheados, contarem histórias e não simplesmente ocuparem espaço até a próxima reforma ou quando a decoração sair de moda.

    Tenho pesquisado e adicionado alguns desses livros à minha pequena (e irrelevante) coleção. Eles têm me servido de inspiração para o projeto do meu livro da série Litorâneas. Os títulos que vou citar abaixo não fazem parte de nenhuma lista do tipo “três livros que você precisa comprar” — são apenas três livros que gosto pelo objeto que são.

    Um deles é Faculty Department, do fotógrafo Justin Chung. No livro, Justin reúne uma série de ensaios sobre a vida e os espaços de pessoas criativas. Além das fotografias, que mostram estúdios, oficinas e casas, cada ensaio vem acompanhado de um texto. O tamanho, o design das páginas e os materiais utilizados tornam o livro uma experiência tátil — daqueles que se aprecia com as pontas dos dedos, sentindo o peso e a textura do papel.

    Outro exemplo é Kissa by Kissa, do fotógrafo e escritor Craig Mod. O livro reúne fotografias e pequenas histórias produzidas durante suas longas caminhadas pelo Japão. É uma homenagem aos pequenos kissaten — cafés que tocam jazz e servem o peculiar Pizza Toast: uma fatia grossa de pão de leite com molho, queijo e outros ingredientes como presunto, vegetais e cogumelos, tudo assado até o queijo derreter.

    Mapas também sempre despertaram minha curiosidade, desde pequeno. Enquanto produzia a série Litorâneas, descobri o Atlas of Remote Islands, de Judith Schalansky. Comprei o livro, na época, exclusivamente pelos mapas e pela vontade de descobrir pequenas ilhas remotas que provavelmente nunca visitarei. Sem fotografias, ele traz apenas mapas, ilustrações, legendas e pequenos textos sobre cada ilha.

    Sigo buscando novos livros que possam servir de inspiração. Se você tiver alguma sugestão, por favor, me envie!


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  • A ressignificação do nosso litoral

    Tudo começou com a ideia de um projeto fotográfico, que precisava ser apresentado como trabalho de conclusão ao final da especialização que fiz entre 2009 e 2010. A princípio, pensei em fotografar o litoral de Santa Catarina em preto e branco, mas ansiava por algo além de um simples registro, procurava uma maneira de me envolver profundamente com a paisagem que fotografava. Durante os estudos, conheci os trabalhos do fotógrafo americano Carleton Watkins (1829-1916) e do brasileiro Marc Ferrez (1843-1924), que registraram paisagens e transformações nos Estados Unidos e no Brasil. Devido às limitações técnicas da época, a sensibilidade do material fotográfico exigia longas exposições, criando uma estética única para as fotografias de paisagem.

    Na mesma época, descobri o trabalho de Valdir Cruz, fotógrafo brasileiro radicado em Nova York, que produziu uma série de ensaios no Brasil utilizando também a técnica da longa exposição, além de outros fotógrafos como o inglês Michael Kenna, o americano Rolfe Horn e o austríaco Josef Hoflehner.

    Como as câmeras atuais não possuem as limitações técnicas do século XIX, precisei criar essa restrição para fotografar. Comprei um filtro ND, utilizei ISO 50 ou 100 e regulei a abertura da lente para f/16. Dessa forma, consegui que pouquíssima luz chegasse ao sensor da minha câmera. O uso da longa exposição não foi apenas uma escolha estética e de linguagem, mas também uma maneira de desacelerar o processo fotográfico, exigindo o uso do tripé e uma abordagem mais contemplativa. Comecei fotografando locais de fácil acesso em Florianópolis – Itaguaçu, Beira-Mar Norte, Sambaqui – e, ao longo dos anos, fui explorando outras regiões do litoral catarinense.

    Em 2010, fotografei dois locais na parte continental de Florianópolis. Um deles foi a Praia da Ponta do Leal, capturando as pedras Três Irmãs e o trapiche que ficava ao lado delas. Observando imagens aéreas recentes, é possível notar que o trapiche não existe mais. Na época, a construção da Avenida Beira-Mar Continental estava em fase final a menos de 500 metros dali, e atualmente já existe um projeto de ampliação que deve aterrar toda essa área. 

    Alguns meses depois, fotografei a Praia da Saudade onde fica o trampolim (foto Stairway to Heaven), construído em 1957 pelo engenheiro Rui Ramos Soares, numa parceria entre a Prefeitura de Florianópolis e o Clube 12 de Agosto. A estrutura serviu para a diversão dos banhistas por décadas, mas, em fevereiro de 2022, parte do trampolim desabou.

    As rápidas mudanças nas áreas urbanas próximas à natureza mostram como, em apenas 15 anos, podem ocorrer transformações significativas em nosso espaço. Isso faz com que a memória e as lembranças desses locais sejam preservadas apenas em fotografias e vídeos. Quando comecei a produzir as primeiras imagens da série Litorâneas, tinha apenas uma vaga ideia do motivo pelo qual queria fazer essas fotos. Somente anos depois compreendi verdadeiramente como esse conjunto de fotografias se tornou um registro histórico – o “isso foi”, um testemunho visual da existência prévia das coisas, como menciona o historiador francês André Rouillé em seu livro A Fotografia: Entre o Documento e a Arte Contemporânea.

    Muito além da contemplação e do ato quase terapêutico de produzir uma longa exposição – condensando vários segundos e minutos em uma única imagem –, o projeto carrega a intenção de documentar, descobrir e “redescobrir” nosso mundo e nosso litoral por meio da linguagem fotográfica. Criar imagens que ressignificam aquilo que nossos olhos são incapazes de enxergar sem o auxílio do equipamento fotográfico é, ao mesmo tempo, um exercício de percepção e de preservação da memória visual.

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  • Sunburn – Chris Mccaw

    Quando descobri o trabalho do Chris Mccaw em especial a série Sunburn, fiquei aficionado pelo seu processo criativo e como ele produz cada obra da série.

    Tudo começou quando ele deixou uma câmera exposta durante a noite e ao acordar a fotografia havia ficado exposta ao sol e como resultado o papel fotográfico ficou queimado pelo calor intenso da projeção do sol. Chris utiliza papéis vencidos e lentes especiais, algumas delas usadas em telescópios e adaptadas para suas câmeras de grande formato. Assim toda vez que ele produz uma nova fotografia ele aponta sua lente em direção ao sol e registra a passagem do sol queimando o papel fotográfico.

    Por utilizar papel fotográfico, cada fotografia é uma obra única tornando o trabalho ainda mais interessante.

    Para conhecer mais do trabalho você pode acessar o site dele
    https://www.chrismccaw.com

  • Golden Gate Before the Bridge

    Em 2023, durante minhas pesquisas para novas séries, encontrei o trabalho do fotógrafo Richard Misrach. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Misrach cruzou caminhos com o renomado fotógrafo Ansel Adams.

    Ambos compartilharam um profundo interesse em documentar as paisagens norte-americanas, cada um com sua visão e abordagem particular. No entanto, uma fotografia em especial, que os dois têm em comum, chamou minha atenção.

    A fotografia acima, de Ansel Adams, foi tirada um ano antes do início da construção da ponte. Já a série de imagens de Richard Misrach, intitulada Golden Gate, foi iniciada 60 anos após a conclusão da obra. Nesta série, ele explora a vista de sua casa, registrando a ponte ao fundo em diferentes momentos do dia, capturando as variações de luz ao longo do tempo.

  • Bruno Barbey – Magnum Photos

    Bruno Barbey nascido no Marrocos, estudou fotografia em Vevey, na Suíça e começou sua relação com a Magnum Photos em 1964, quando terminava seu projeto sobre os italianos. Uma das características mais marcantes de seu trabalho é o uso de uma lente grande angular, com a qual consegue fazer um enquadramento rápido sem a necessidade de focar, conseguindo assim imagens únicas.

    Para conhecer mais do seu trabalho: www.brunobarbey.com

  • Sleeping by the Mississippi – Alec Soth

    Sendo um dos trabalhos mais conhecido de Alec Soth, Sleeping by the Mississippi, foi produzido tendo como guia principal o rio Mississipi nos EUA, que atravessa o território americano estado de Minnesota até Luisiana, desaguando no Golfo do México. O projeto que nasceu com o desejo de vagar, acabou não apenas registrando as paisagens ao longo do rio, mas também personagens e histórias das pessoas que foi encontrando ao longo do caminho. Um destes personagens é Charles (foto acima) o qual tem um breve relato sobre a foto no vídeo abaixo.

    Já o vídeo abaixo conta um pouco mais sobre a história de Alec Soth e seu envolvimento com seus outros projetos.

  • Praia do Saquinho – Florianópolis

    Foto inspirada na série Seascapes do fotógrafo japonês Hiroshi Sugimoto.

    Esta foto foi registrada na trilha que da acesso a praia do Saquinho no sul de Florianópolis. Seguindo pela costa há uns 65m de altitude, esse trecho da trilha dá uma ampla visão do mar logo abaixo, que junto com a névoa que se aproximou no final da tarde criou esta atmosfera misteriosa.

  • A Shaded Path – Elliott Verdier

    Ensaio produzido por Elliott Verdier no Quirguistão

    www.elliotverdier.com

  • Roaming – Todd Hido

    A série Roaming de Todd Hido demonstra uma preocupação de como as pessoas vivem, e funciona como continuação dos seus livro House Hunting e Outskirts. Se afastando do subúrbio onde produziu as séries anteriores, Todd produz esse novo trabalho ao longo de rodovias após o pôr do sol e sempre fotografando através do parabrisa molhado do seu carro.

    Outras fotografias desta série você encontra no site do Todd Hido