De Pomerode a São Paulo
Na casa dos meus avós havia uma estrutura de madeira que eu conhecia antes de saber o que ela significava. Conhecia seus espaços, os barulhos do piso de madeira e o cheiro da mata que ficava a poucos metros de distância. Muitas histórias se passaram naquela casa, muitas felizes e algumas tristes. Construída em 1928, no estilo enxaimel* (ou Fachwerk, em alemão), foi a casa dos meus bisavós paternos. Ali cresceram minha avó, meu pai e minha tia e, ao longo dos anos, o espaço também foi palco de muitas comemorações e aniversários da família.

Muitos anos depois, quando comecei a fotografar, a casa sempre esteve presente em minhas fotografias. Não estava apenas em busca de memórias, mas também registrava a arquitetura e o desenho de sua fachada. Com madeiras pintadas de preto e tijolos vermelhos, esse estilo de construção pode ser visto em quase toda a região. Entre as cidades de Pomerode e Blumenau, são mais de 450 construções, podendo chegar a mais de mil quando somadas as construções de outras cidades da região do Vale do Itajaí.

Aqui em São Paulo, pude observar diversas construções que remetem ao estilo enxaimel em bairros como Pinheiros, Jardins, Pacaembu, Lapa e Moema. Porém, um detalhe que observei é que, na sua grande maioria, essas casas usam o enxaimel como decoração. O falso enxaimel consiste em tábuas de madeira, ripas de concreto ou faixas pintadas para imitar a estética europeia. Nas construções originais, porém, o enxaimel tem função estrutural.

Independentemente de sua função decorativa ou estrutural, comecei a fotografar essas casas aqui em São Paulo. Talvez por reconhecer nelas algo que fez parte da minha infância, ou algum traço de identidade de quem construiu ou vive nessas casas, mas também pela curiosidade de observar como uma mesma linguagem arquitetônica aparece em lugares tão diferentes. Aos poucos, essas construções começaram a formar uma pequena coleção de imagens, uma espécie de inventário pessoal do enxaimel longe de casa.
*técnica tradicional de construção baseada em um esqueleto de vigas de madeira encaixadas, sem o uso de pregos ou parafusos, com os espaços entre as vigas preenchidos por tijolos.

Sobre os Estudos
Nem toda fotografia começa com um projeto definido. Às vezes ela nasce de uma pergunta, de uma leitura, de uma referência ou simplesmente da vontade de experimentar alguma coisa.
Os Estudos são o espaço para essas experiências.
Aqui compartilho pesquisas, testes, referências e pequenas investigações que fazem parte do meu processo fotográfico. Algumas podem dar origem a novos projetos, outras podem permanecer apenas como um exercício ou como registro de uma ideia em determinado momento.
Mais do que mostrar trabalhos concluídos, os Estudos acompanham esse momento em que as ideias ainda estão sendo descobertas e tomando forma.
Tschüss,
Alessandro Gruetzmacher
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